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05 janeiro 2026

The State of Mining 2026: From Disruption to Intelligent Integration

Por que a clareza de propósito, a colaboração e a adoção de tecnologia definirão o ritmo da mineração na próxima década.

A indústria de mineração está em um momento crucial. Além das metas de descarbonização e transição energética, a volatilidade geopolítica, os atrasos na obtenção de licenças e as crescentes preocupações com a segurança nacional estão remodelando o investimento de capital no setor, assim como a forma como o planejamento de minas é concebido e executado. Ao mesmo tempo, a adoção de tecnologia e a transformação da mão de obra oferecem oportunidades poderosas para desbloquear novas reservas e melhorar a resiliência operacional.


Este artigo, o primeiro de nossa Série de Liderança Deswik, reúne insights da nossa equipe de liderança sênior e explora as tendências que definirão a próxima década da mineração. Desde as realidades do risco geopolítico à promessa de novas inovações e à necessidade urgente de investir em talentos, analisamos o que as mineradoras devem fazer agora para se manterem competitivas e responsáveis no cenário global.

Colaboradores da Deswik:

  • Andrew Pyne, Diretor Executivo
  • Calliope Lalousis, Diretora de Operações
  • Glenn Wylde, Diretor Técnico
Technology adoption is setting the pace.
A adoção de tecnologia está ditando o ritmo.

A mineração em uma encruzilhada em 2026

Ao passarmos para a segunda metade desta década, a indústria global de mineração está entrando em uma era decisiva. A demanda por minerais críticos está aumentando à medida que as economias aceleram em direção à eletrificação e à descarbonização, com cobre, lítio e níquel no centro dessa transformação. A Agência Internacional de Energia prevê que a demanda global por cobre dobrará até 2040, enquanto a demanda por lítio deverá crescer seis vezes no mesmo período. Esses minerais são essenciais para veículos elétricos, infraestrutura de energia renovável e sistemas de armazenamento de baterias que sustentam a transição energética. E, como muitos governos globais se comprometeram com a neutralidade de carbono até 2050, essa demanda só tende a aumentar nos próximos 25 anos.


Ao mesmo tempo, as pressões de ESG (Meio Ambiente, Social e Governança) e a volatilidade geopolítica estão remodelando o ambiente operacional. Os investidores exigem transparência e sustentabilidade, enquanto os governos administram estruturas de licenciamento restritivas. As restrições de mão de obra adicionam outra camada de complexidade e, com muitas universidades fechando cursos de engenharia de mineração mesmo com o aumento da demanda por engenheiros, os desafios para o setor continuam a crescer. O setor está vivenciando um paradoxo: oportunidades sem precedentes aliadas a riscos sem precedentes.

Tendências globais que moldam o setor

Em 2026, os líderes da mineração enfrentarão uma miríade de questões, cada uma com o potencial de mudar a face do setor. Perguntamos a três membros da diretoria da Deswik (Andrew Pyne, CEO, Calliope Lalousis, COO, e Glenn Wylde, CTO) quais tendências globais importantes eles preveem que serão cruciais em 2026 e nos anos seguintes. Eles identificaram cinco áreas a serem observadas: transformação digital, automação, descarbonização e eletrificação, risco geopolítico e evolução da força de trabalho.


Transformação digital


Andrew resume o desafio digital de forma sucinta. “A adoção de tecnologia é uma das áreas de foco mais críticas para as operações de mineração, especificamente para operacionalizar o uso da tecnologia. Muitas empresas de mineração fazem experimentos com tecnologia, dedicando muito tempo e esforço tentando fazer as coisas funcionarem, mas, frequentemente, além da fase de prova de conceito, essas soluções potenciais não são implementadas para gerar qualquer mudança ou impacto operacional.


“Essa desconexão entre ambição e execução não é, obviamente, exclusiva da mineração, mas os riscos estão se tornando cada vez maiores nesse setor. Com prazos de licenciamento que se estendem por décadas, riscos cada vez maiores e custos de capital em ascensão, a indústria não pode se dar ao luxo de ficar para trás em termos de inovação. A questão já não é se devemos nos transformar, mas como – e com que rapidez.”


Glenn acrescenta: “Existe um viés cognitivo chamado Efeito IKEA”. Refere-se à tendência a favorecer algo que você criou pessoalmente, independentemente de ser a melhor opção. Isso é compreensível, mas pode ser um dos verdadeiros desafios para as empresas que tentam adotar novas tecnologias.


“Ter um norte ou uma visão daquilo que você almeja é fundamental. Todos precisam saber para onde estão indo e por quê, caso contrário a transformação digital acaba sendo um desastre caro e você não avança nada... e, em alguns casos, até retrocede.”


A próxima década testemunhará uma convergência de tecnologias que redefinirão o planejamento e a execução de lavras. As operações orientadas por IA irão complementar, e não substituir, o julgamento humano. Glenn explica: “apesar da grande expectativa e do valor da IA, o futuro do trabalho no planejamento de lavras é exclusivamente humano. A inteligência artificial é incomparável em velocidade e precisão para decisões baseadas em dados, mas quando se trata de intuição, julgamento ético, adaptabilidade e visão estratégica, o ser humano é o tomador de decisões perfeito.”


Automação


O objetivo derradeiro da automação na mineração é eliminar o fator humano, maximizando a segurança e os resultados, e o setor está cada vez mais perto desse objetivo. Andrew explica: “existe uma mina do futuro na China que já é totalmente automatizada, sem necessidade de entradas prévias.” É uma lavra de carvão totalmente automatizada, e eles utilizam apenas veículos elétricos a bateria, cuja bateria é trocada mais rapidamente do que um ciclo de abastecimento em um caminhão de transporte.”


A automação de veículos transporte na produção é uma realidade na mineração há vários anos; no entanto, a versão atual da tecnologia de automação tem limitações quanto aos ambientes em que pode ser implantada com eficácia. Nos próximos anos, esperamos ver uma nova geração de fornecedores de tecnologia entrar na indústria de mineração e expandir a aplicabilidade da automação nesse setor. Essas novas tecnologias aproveitarão os recursos emergentes de automação completa de Nível 5 para ampliar o enorme valor já oferecido pelas soluções AHS do fabricante original.


Descarbonização e eletrificação


A corrida para atingir emissões líquidas zero está acelerando o investimento em minerais para baterias, integração de energias renováveis e frotas eletrificadas. No entanto, o progresso é desigual em todo o mundo. Por exemplo, na região da Ásia-Pacífico, os testes de caminhões elétricos a bateria na Austrália enfrentam gargalos de infraestrutura, com a capacidade da rede elétrica e estações de carregamento insuficientes em relação à implantação da frota, e o boom do níquel na Indonésia é limitado por atrasos na emissão de licenças que, em média, são 18 meses maiores do que as normas globais. Cal explica: “para melhorar a eficiência operacional da mineração, as empresas precisam construir ferramentas que se adaptem ao mercado. O futuro tem a ver com simplificar os processos e usar os dados de forma inteligente para apoiar as decisões. O Simulation e os fluxos de trabalho guiados desempenharão um papel fundamental para ajudar as minas a se adaptarem às novas demandas, como eletrificação e sustentabilidade.”


Risco geopolítico


Durante duas décadas, a mineração esteve na crista da onda da industrialização global. Hoje, essa era de “tempos dourados” está dando lugar ao nacionalismo de recursos e à fragmentação da cadeia de suprimentos.


“Se você analisar o que é necessário para colocar uma mina em funcionamento nos EUA, verá que são mais de 50 aprovações. No Canadá, isso pode levar até 15 anos, e a Austrália enfrenta dificuldades semelhantes. Cada grupo de interesse tem a capacidade de parar um projeto, e isso está criando barreiras reais para atender à demanda futura. "O engajamento efetivo entre grupos de partes interessadas com interesses em conflito continua sendo um desafio para o setor de mineração”, afirma Andrew.


“Um desafio cada vez maior é a segurança do acesso a minerais críticos, cuja importância aumentou devido ao risco cada vez maior associado às cadeias de suprimento existentes para esses minerais.”


Evolução da mão de obra


A automação e a IA estão remodelando as funções, mas as pessoas continuam sendo fundamentais. Calliope faz um alerta contra a complacência. “Estamos partindo do princípio de que um modelo de linguagem de grande escala substituirá um tomador de decisões humano. Isso é um erro.”


Como disse Andrew, “a Inteligência Artificial tem um papel a desempenhar, reduzindo a necessidade de engenheiros altamente qualificados para concluir todas as tarefas associadas às decisões técnicas de mineração.”


“Estamos pesquisando como podemos aproveitar as habilidades dos duzentos engenheiros de mineração que temos na Deswik, capturar o conhecimento coletivo adquirido através da experiência e torná-lo disponível através das possibilidades oferecidas pelas tecnologias emergentes de IA.”

Automation and AI are reshaping roles, but people remain central.
A automação e a IA estão remodelando as funções, mas as pessoas continuam sendo fundamentais.

Oportunidades à vista no horizonte

A mineração em 2026 será mais complexa, mais interconectada e mais impactante do que nunca. Para os líderes dispostos a abraçar as mudanças de maneira confiante, existem oportunidades significativas a serem aproveitadas. O grupo destacou quatro oportunidades principais para 2026: expansão subterrânea, simulação e planejamento integrado, colaboração e novos modelos de negócios, economia circular e reciclagem.


Expansão de lavras subterrâneas


Os depósitos superficiais estão diminuindo e a qualidade dos minérios está caindo. A mineração em lavras subterrâneas é cada vez mais essencial, e a oportunidade aqui é continuar inovando para sair na frente. Como disse Calliope, “a inovação nas lavras subterrâneas está transformando a forma como acessamos reservas profundas.” Desde projetos de lavra por abatimento de blocos até simulações avançadas que otimizam o sequenciamento e a ventilação, o planejamento digital de lavras deixou de ser opcional e se tornou a chave para tornar as operações subterrâneas complexas mais seguras, eficientes e sustentáveis.”


Simulation e planejamento integrado de lavras


O Simulation permite que os planejadores avaliem milhares de cenários rapidamente, reduzindo a incerteza e melhorando a tomada de decisões. Isso é essencial, à medida que as lavras se tornam mais profundas e complexas. Glenn vê a integração da tecnologia como uma virada de jogo. “O Simulation tem um grande papel no futuro, principalmente na redução de opções e no fornecimento de suporte à decisão em tempo real. Há muitos dados disponíveis, mas muitos poucos deles são utilizados por quem toma as decisões. Emular um ambiente e oferecer opções práticas será algo extremamente valioso.”


A experiência do usuário evoluirá drasticamente. Fluxos de trabalho guiados, como aqueles dos softwares atuais, darão lugar a interfaces de linguagem natural e à geração de fluxos de trabalho semiautomáticos. Glenn continua: “em vez de produtos com interfaces de usuário complexas, veremos interfaces minimalistas controladas por voz ou comandos de voz. A expectativa sobre como as pessoas usam as aplicações está mudando rapidamente.”


A competição global por recursos se intensificará e a resiliência se tornará um imperativo estratégico. O planejamento de cenários, já utilizado há muito tempo no setor de petróleo e gás, ganhará força na mineração à medida que as empresas se preparam para choques geopolíticos e rupturas na cadeia de suprimentos.


Colaboração e novos modelos de negócio


Andrew destaca o potencial não aproveitado de novos modelos de negócios entre mineradoras e fornecedores: “se você é uma mineradora pequena tentando tirar uma lavra do papel, seu acesso a capital é difícil. Uma de suas maiores despesas é a sua frota de veículos móveis. Fabricantes como a Caterpillar ou a Komatsu têm acesso ilimitado a capital. “Por que não fornecer equipamentos em um modelo diferente, com custo operacional em vez de custo de capital? Essa é uma oportunidade em aberto.”


Estamos vendo exemplos no setor de tecnologia da mineração em que empresas estão fornecendo suas soluções de software e conhecimento especializado para empresas pequenas de exploração, a fim de desenvolver seus ativos e, quando necessário, captar recursos.


Economia circular e reciclagem


A pressão pela sustentabilidade está criando oportunidades na reciclagem e na recuperação de recursos secundários. A Europa está investindo fortemente na reciclagem de baterias, ao passo que a China está ampliando a recuperação de terras raras a partir de fluxos de resíduos industriais.

Riscos a serem observados

Como em tudo que é bom, os riscos vêm junto com as oportunidades. Andrew, Calliope e Glenn destacaram quatro riscos distintos a serem monitorados em 2026: licenciamento e regulamentação, restrições de capital, falta de talentos e segurança cibernética.


Licenciamento e regulamentação


Calliope destaca isso como o principal risco para novas operações. “Demoras na obtenção de licenças continuam sendo o maior obstáculo para novos projetos.” Nos Estados Unidos, o prazo médio para uma nova mina é de 16 a 20 anos. “No Canadá, a média é de 12 a 15 anos, e esse tipo de demora ameaça a segurança do abastecimento de minerais críticos”.


Restrições de capital


Andrew destaca os riscos financeiros que podem impedir a entrada de empresas pequenas no setor de mineração: “Como mencionamos anteriormente, as pequenas mineradoras enfrentam sérios desafios para acessar capital. Taxas de juros cada vez maiores e os requisitos de conformidade com os critérios de ESG estão restringindo as vias de financiamento. Modelos de financiamento inovadores e parcerias com fornecedores serão essenciais para mitigar esses tipos de risco.”


Falta de talentos


Glenn alerta: “O maior risco para as operações em 2026 são as pessoas. Não desenvolver ou investir em talentos. Presumir que a IA substituirá um tomador de decisões humano. Não lhes dar espaço para pensar e trabalhar.”

A escassez global de engenheiros de mineração é grave. As universidades estão fechando cursos e os formados estão migrando para o setor de tecnologia. As empresas devem investir em treinamento, programas de pós-graduação e parcerias com instituições acadêmicas.


O desenvolvimento de talentos encontra-se sob forte pressão. Em Queensland, na Austrália, um importante centro mundial de mineração, os programas de engenharia de minas foram absorvidos por disciplinas mais amplas, reduzindo o número de especialistas formados. Em nível global, o número de graduados em engenharia de mineração caiu 39% desde 2016.


Calliope acrescenta: “a Universidade de Queensland tem especializações em engenharia química, civil, elétrica, mecânica, mecatrônica e de software, mas a de mineração foi encerrada.” A única maneira de ter acesso à mineração atualmente é através de engenharia civil ou mecânica como área de estudo secundária.


“Isso é algo crítico, porque Queensland é um importante estado minerador e, sem programas dedicados à mineração, corremos o risco de perder a próxima geração de engenheiros que impulsionarão a inovação e a sustentabilidade no setor.”


Segurança cibernética


Com a digitalização das operações de mineração, a segurança cibernética torna-se uma vulnerabilidade crítica. Na região da Ásia-Pacífico, por exemplo, a adoção da nuvem está se acelerando, mas as estruturas de governança estão atrasadas, deixando as operações expostas a violações de dados.

Road showing 2025, 2026, 2027, 2028 ahead
O que vem por aí em 2026?

Mineração com Confiança

O futuro da indústria não será definido apenas pela tecnologia, mas pela inteligência e integração por trás de sua aplicação. O sucesso girará em torno de três princípios: clareza de propósito, investimento nas pessoas e colaboração em todo o ecossistema.


Andrew oferece uma perspectiva final: “estamos otimistas em relação ao futuro, mas precisamos calibrar a ambição com a realidade. O ritmo das mudanças é avassalador e não podemos fazer tudo ao mesmo tempo. Temos que focar no que importa, ganhar impulso e manter o olhar fixo em nosso norte.”


Fontes:


Colaboradores:

Andrew Pyne, Diretor Executivo Andrew Pyne | LinkedIn

Calliope Lalousis, Diretora de Operações Calliope L. | LinkedIn

Glenn Wylde, Diretor Técnico Glenn Wylde | LinkedIn